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Pode fazer hemograma com febre? Entenda o que pode mudar no exame

Está com febre e precisa fazer um hemograma? Entenda se é possível realizar o exame, quais resultados podem se alterar e quando a coleta pode ajudar na investigação.

COLETA E PREPARO

Ariéu Azevedo Moraes

8/30/20265 min ler

Pode fazer hemograma com febre? Entenda o que pode mudar no exame

“Estou com febre. Posso fazer o hemograma ou preciso esperar melhorar?”

Essa é uma dúvida bastante comum antes da coleta de exames laboratoriais. A resposta, de maneira geral, é: sim, o hemograma pode ser coletado mesmo quando a pessoa está com febre.

Na verdade, dependendo do motivo pelo qual o exame foi solicitado, realizar a coleta durante o quadro febril pode fornecer informações importantes sobre o que está acontecendo com o organismo naquele momento. Mas existe uma diferença importante entre um resultado alterado e um resultado inválido. Vamos entender.

A febre impede a coleta do hemograma?

Não. A presença de febre, por si só, não é uma contraindicação para a realização do hemograma. Quando o exame foi solicitado justamente para auxiliar na investigação de sintomas como febre, mal-estar, fraqueza ou suspeita de um processo infeccioso ou inflamatório, o resultado pode contribuir para a avaliação clínica.

Isso acontece porque o hemograma apresenta informações sobre diferentes células presentes no sangue, incluindo:

  • hemácias;

  • leucócitos;

  • plaquetas;

  • hemoglobina;

  • hematócrito;

  • diferentes populações de leucócitos.

Alguns desses parâmetros podem sofrer alterações durante uma doença aguda.

Então a febre pode alterar o hemograma?

Sim, mas é importante entender essa afirmação corretamente.

Muitas vezes, não é simplesmente a elevação da temperatura corporal que está modificando o hemograma, mas o processo que provocou a febre. Infecções, inflamações e outras condições podem desencadear uma resposta do organismo e modificar temporariamente determinados componentes do sangue.

É justamente essa resposta que pode interessar ao profissional de saúde. Por isso, encontrar alterações no hemograma de uma pessoa com febre não significa que o exame tenha sido realizado de maneira inadequada.

Resultado alterado não significa resultado errado.

O exame está registrando uma fotografia daquele momento do organismo.

O que pode mudar no hemograma durante um quadro febril?

Uma das partes que costuma receber maior atenção é o leucograma, que avalia os leucócitos, células relacionadas à resposta imunológica.

Dependendo da causa, intensidade e fase do quadro clínico, podem ocorrer alterações na quantidade total de leucócitos e na distribuição de células como:

Neutrófilos: podem apresentar alterações em diversos processos infecciosos e inflamatórios.

Linfócitos: também podem sofrer mudanças durante determinadas infecções e respostas imunológicas.

Plaquetas: algumas condições infecciosas ou inflamatórias podem provocar aumento ou redução da contagem.

Além disso, hidratação, medicamentos, duração da doença e outras características individuais podem influenciar determinados resultados.

Por isso, o hemograma precisa ser interpretado dentro do contexto clínico do paciente.

O hemograma consegue dizer se a febre é causada por vírus ou bactéria?

Não de forma isolada. Esse é um ponto importante.

Determinados padrões encontrados no leucograma podem contribuir para o raciocínio clínico, mas não é adequado concluir apenas pelo hemograma que uma infecção é viral ou bacteriana.

O profissional de saúde considera um conjunto de informações, como:

  • sintomas apresentados;

  • duração e características da febre;

  • exame físico;

  • histórico do paciente;

  • medicamentos utilizados;

  • resultados laboratoriais;

  • outros exames complementares, quando necessários.

O hemograma é uma ferramenta de auxílio à investigação, e não um diagnóstico completo por si só.

É melhor esperar a febre passar para fazer o exame?

Depende do motivo da solicitação. Se o hemograma foi pedido justamente porque a pessoa está apresentando febre ou outros sintomas, esperar a recuperação para realizar a coleta pode retirar do profissional uma informação importante daquele momento clínico.

Por outro lado, imagine uma pessoa saudável que tinha um hemograma de rotina programado e, naquele dia, desenvolveu febre e sintomas de uma doença aguda.

Nesse caso, alguns parâmetros podem apresentar alterações transitórias relacionadas ao quadro atual.

Se o objetivo era simplesmente uma avaliação de rotina, pode ser interessante informar a situação ao profissional solicitante para que ele decida se o exame deve ser realizado naquele momento ou posteriormente.

Precisa estar em jejum para fazer hemograma?

O hemograma isoladamente geralmente não exige jejum. Entretanto, é muito comum que ele seja solicitado junto com outros exames que podem possuir orientações específicas de preparo.

Por isso, antes da coleta, verifique quais exames estão presentes na solicitação e siga as orientações fornecidas pelo laboratório ou pelo profissional responsável.

Também é importante informar medicamentos em uso e condições relevantes no momento da coleta.

Estou com febre alta. Devo simplesmente ir ao laboratório?

O hemograma não substitui uma avaliação médica.

Febre persistente, muito elevada ou acompanhada de sinais importantes — como dificuldade para respirar, confusão, desmaio, convulsões, rigidez de nuca, dor intensa, sinais de desidratação ou piora importante do estado geral, merece avaliação profissional.

Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com determinadas condições clínicas também podem necessitar de atenção específica.

O objetivo do exame laboratorial é auxiliar o cuidado, e não substituir a avaliação clínica.

Afinal: pode fazer hemograma com febre?

Sim. A febre não torna automaticamente o hemograma inválido.

Se o exame foi solicitado para investigar o quadro atual, as alterações encontradas podem ser justamente parte das informações que o profissional precisa avaliar.

Se o hemograma era apenas um exame de rotina, vale informar que você está passando por um quadro febril, pois algumas alterações podem ser temporárias.

E lembre-se:

um número fora do valor de referência não deve ser interpretado sozinho.

Resultados laboratoriais precisam ser analisados considerando sintomas, histórico, condições da coleta e avaliação profissional.

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Este conteúdo possui caráter educativo e informativo e não substitui consulta, diagnóstico, prescrição ou orientação individualizada de profissionais de saúde.

Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Especialista em Gestão laboratorial | Especialista em Perícia Judicial e Extrajudicial
Fundador da Pipeta e Pesquisa
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