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Janeiro Roxo: Hanseníase, diagnóstico precoce e o papel das análises clínicas no SUS

Entenda a hanseníase, os sinais de alerta, o diagnóstico precoce e o papel das análises clínicas no SUS. Conteúdo técnico e acessível para a Campanha Janeiro Roxo.

CAMPANHA DE CORESMICROBIOLOGIA

Ariéu Azevedo Moraes

1/26/20265 min ler

Imagem do Artigo sobre Hanseníase
Imagem do Artigo sobre Hanseníase

Janeiro Roxo: hanseníase, diagnóstico precoce e o papel das análises clínicas no SUS

A Campanha Janeiro Roxo chama atenção para uma doença antiga, cercada de estigmas, mas plenamente tratável quando identificada a tempo: a hanseníase. No Brasil, onde a doença ainda representa um desafio relevante de saúde pública, o mês de conscientização reforça uma mensagem central — diagnosticar precocemente evita incapacidades, reduz o estigma e interrompe a cadeia de transmissão.

Mais do que uma ação simbólica, o Janeiro Roxo convida profissionais e serviços de saúde a olharem com mais atenção para sinais clínicos discretos, para o papel da atenção primária e para a integração entre clínica e laboratório, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de começar a ler convidamos você a ver que temos outra campanha de saúde em Janeiro:
Janeiro Branco

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae. O diagnóstico precoce, baseado no exame clínico e apoiado por análises laboratoriais, permite tratamento gratuito pelo SUS, interrompe a transmissão e previne incapacidades.

O que é a hanseníase?

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, de evolução lenta, causada pelo Mycobacterium leprae. O bacilo possui afinidade por pele e nervos periféricos, o que explica seus sinais mais característicos: manchas cutâneas associadas à alteração de sensibilidade, formigamentos, dor neural e, nos casos mais avançados, incapacidades físicas permanentes.

A transmissão ocorre principalmente por vias respiratórias, em contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento. Um ponto essencial — e ainda pouco compreendido pela população — é que após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença.

Hanseníase no Brasil: por que ainda precisamos falar sobre isso?

No Brasil, a hanseníase ainda exige vigilância ativa, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social e acesso limitado aos serviços de saúde. O atraso diagnóstico permanece como um dos principais fatores associados às sequelas físicas e ao estigma social.

Nesse cenário, campanhas como o Janeiro Roxo cumprem um papel estratégico ao estimular a busca precoce por atendimento, fortalecer a atenção básica e apoiar ações de vigilância epidemiológica.

Sinais e sintomas: quando suspeitar?

Ao contrário de muitas infecções, a hanseníase não se inicia com febre alta ou dor intensa. Seus sinais costumam ser silenciosos e facilmente confundidos com outras condições dermatológicas ou neurológicas.

Devem acender o alerta:

  • Manchas claras, avermelhadas ou acastanhadas com diminuição ou perda de sensibilidade

  • Dormência, formigamento ou dor em mãos e pés

  • Espessamento de nervos periféricos

  • Redução de suor ou queda de pelos na área afetada

Reconhecer esses sinais precocemente muda completamente o prognóstico.

Classificação operacional: impacto direto no tratamento

Para fins terapêuticos e de vigilância, a hanseníase é classificada de forma operacional em:

  • Paucibacilar (PB): até 5 lesões cutâneas, geralmente com baciloscopia negativa

  • Multibacilar (MB): mais de 5 lesões, maior carga bacilar e maior potencial de transmissão.
    Ver a imagem principal do artigo - bacilos vermelhos no campo microscópico.

Essa classificação orienta o esquema terapêutico, a duração do tratamento e o acompanhamento dos contatos, sendo fundamental para o controle da doença.

Hanseníase — resumo técnico

  • Doença: Hanseníase

  • Agente etiológico: Mycobacterium leprae

  • Principais sinais: manchas com alteração de sensibilidade, neuropatia periférica

  • Diagnóstico: clínico, com apoio de baciloscopia e histopatologia

  • Tratamento: poliquimioterapia gratuita pelo SUS

  • Campanha: Janeiro Roxo

Diagnóstico: onde entram as análises clínicas?

Embora a hanseníase seja, essencialmente, um diagnóstico clínico, baseado no exame dermatoneurológico, as análises clínicas exercem papel de apoio estratégico em situações específicas.

Baciloscopia de raspado intradérmico

Permite a identificação direta do bacilo, sendo mais útil nos casos multibacilares. Um resultado negativo não exclui a doença, especialmente nas formas paucibacilares.

Histopatologia (biópsia de pele)

Indicada em casos duvidosos, auxilia na confirmação diagnóstica e na avaliação do padrão inflamatório.

Exames laboratoriais complementares

Hemograma, PCR e VHS não são diagnósticos para hanseníase, mas auxiliam na avaliação de reações hansênicas, processos inflamatórios e acompanhamento clínico durante o tratamento.

Nos serviços vinculados ao SUS, especialmente em laboratórios municipais, essa integração entre clínica, vigilância e laboratório é decisiva para o diagnóstico oportuno e o manejo adequado.

Reações hansênicas: atenção redobrada

Durante ou após o início do tratamento, alguns pacientes podem apresentar reações hansênicas, que não representam falha terapêutica, mas uma resposta imunológica exacerbada.

  • Reação tipo 1 (reversa): inflamação das lesões e neurite

  • Reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico): nódulos dolorosos, febre e mal-estar sistêmico

Nesses casos, o acompanhamento clínico e laboratorial auxilia na avaliação da gravidade e na condução segura do paciente.

Tratamento: cura existe e está disponível

A hanseníase tem tratamento eficaz e gratuito, baseado na poliquimioterapia (PQT), disponibilizada pelo SUS. Após o início da terapia, o paciente deixa de ser fonte de transmissão, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

Hanseníase e estigma: um desafio persistente

Mesmo com tratamento disponível, o estigma ainda afasta pacientes dos serviços de saúde. Medo, desinformação e preconceito atrasam o diagnóstico e aumentam o risco de sequelas evitáveis.

A Campanha Janeiro Roxo reforça que:

  • Hanseníase tem cura

  • O tratamento é seguro e gratuito

  • Diagnosticar cedo preserva a qualidade de vida

Leitura rápida – Hanseníase em pontos-chave

  • Doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae

  • Transmissão respiratória em contato prolongado sem tratamento

  • Diagnóstico essencialmente clínico, com apoio laboratorial

  • Tratamento gratuito pelo SUS e interrupção precoce da transmissão

  • Diagnóstico tardio está associado a incapacidades e estigma

Conclusão

A Campanha Janeiro Roxo reforça que a hanseníase tem cura e que o diagnóstico precoce, aliado às análises clínicas e ao acompanhamento pelo SUS, é fundamental para evitar incapacidades e interromper a transmissão da doença.

A hanseníase permanece como um desafio relevante de saúde pública no Brasil. O Janeiro Roxo reforça a necessidade de olhar clínico atento, integração entre atenção básica e laboratório, e cuidado contínuo com o paciente. Mais do que uma campanha, trata-se de um compromisso permanente com a prevenção de incapacidades, a redução do estigma e o fortalecimento do SUS.

Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas

Referências

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