Parcerias institucionais estratégicas com empresas que vivem o universo das Análises Clínicas. Veja nosso portfólio institucional de divulgação.

Índice de Castelli e Fórmula de Friedewald: interpretação clínica do lipidograma
Entenda como o Índice de Castelli e a Fórmula de Friedewald transformam o lipidograma em raciocínio clínico. Saiba quando usar, limitações do LDL calculado e o papel do laboratório na avaliação do risco cardiovascular.
BIOQUÍMICA
Ariéu Azevedo Moraes
2/3/20264 min ler


Índice de Castelli e Fórmula de Friedewald: quando o lipidograma deixa de ser apenas números
Por que ainda falar dessas duas ferramentas?
Mesmo com métodos diretos para LDL e novos marcadores de risco, a realidade de muitos serviços de saúde — públicos e privados — ainda depende do lipidograma tradicional. É nesse cenário que o Índice de Castelli e a Fórmula de Friedewald continuam extremamente relevantes.
O problema não está nas ferramentas, mas no uso automático, sem contexto.
Frase-chave Pipeta:
Cálculo sem interpretação gera falsa segurança.
O Índice de Castelli e a Fórmula de Friedewald são ferramentas clássicas da análise do perfil lipídico, usadas para estimar o risco cardiovascular e calcular o LDL-colesterol quando a dosagem direta não está disponível. Interpretados corretamente — e respeitando suas limitações — eles transformam o lipidograma em raciocínio clínico aplicado.
O que é o Índice de Castelli?
O Índice de Castelli é uma relação matemática que expressa o equilíbrio entre lipoproteínas aterogênicas e protetoras, sendo um marcador indireto de risco cardiovascular.
Existem duas formas mais utilizadas:
Índice de Castelli I
Colesterol Total ÷ HDL-colesterol
Índice de Castelli II
LDL-colesterol ÷ HDL-colesterol
Quanto maior o índice, maior tende a ser o risco cardiovascular, pois indica predomínio de colesterol aterogênico em relação ao HDL.
Por que o Índice de Castelli é útil?
Diferente da análise de valores isolados, o Índice de Castelli integra de forma inteligente as informações do lipidograma, permitindo enxergar o equilíbrio entre fatores de risco e proteção cardiovascular. Ao relacionar colesterol aterogênico e HDL, ele ajuda na estratificação do risco, orienta decisões clínicas mais consistentes e facilita o acompanhamento evolutivo do paciente ao longo do tempo.
Por isso, dois indivíduos podem apresentar o mesmo valor de LDL-colesterol e, ainda assim, exibirem índices de Castelli completamente distintos, refletindo perfis de risco cardiovascular também diferentes.
Interpretação prática (sem engessar números)
De forma geral:
Índices mais baixos → melhor perfil lipídico
Índices elevados → maior risco aterogênico
Importante: valores de referência variam conforme diretrizes, sexo, idade e presença de comorbidades. O índice não substitui a avaliação clínica, mas organiza o raciocínio.
O que é a Fórmula de Friedewald?
A Fórmula de Friedewald é utilizada para estimar o LDL-colesterol a partir do lipidograma, quando não há dosagem direta.
A fórmula clássica é:
LDL = Colesterol Total − HDL − (Triglicerídeos ÷ 5)
Esse cálculo assume que:
os triglicerídeos estão em jejum
a relação TG/VLDL é relativamente estável
Quando a Fórmula de Friedewald funciona bem?
Ela apresenta bom desempenho quando:
triglicerídeos < 400 mg/dL
paciente em jejum adequado
ausência de dislipidemias graves
Por isso, continua sendo amplamente usada em rotina laboratorial e em sistemas de saúde.
Limitações importantes da Fórmula de Friedewald
Aqui entra um ponto crítico para o laboratório: a Fórmula de Friedewald perde confiabilidade em cenários bem específicos. Quando os triglicerídeos estão elevados, quando há hiperlipidemias mistas, quando o paciente não realizou jejum adequado, ou ainda em contextos de diabetes descompensada e síndrome metabólica importante, a estimativa do LDL passa a ficar menos precisa. Nesses casos, o LDL calculado pode ser subestimado ou superestimado, levando a interpretações equivocadas se o resultado for analisado sem ressalvas e sem correlação clínica.
Frase de alerta:
LDL calculado não é sinônimo de LDL real.
Castelli e Friedewald: como eles se complementam
Na prática, a Fórmula de Friedewald fornece uma estimativa do LDL-colesterol a partir do lipidograma tradicional, enquanto o Índice de Castelli acrescenta contexto ao resultado ao traduzir esse valor em risco cardiovascular relativo. Quando utilizados em conjunto, esses dois indicadores permitem uma leitura mais inteligente do lipidograma, favorecem uma comunicação mais clara e objetiva com o clínico e tornam possível um acompanhamento evolutivo mais consistente do paciente, especialmente ao longo do tratamento e das mudanças de estilo de vida.
O papel do laboratório na interpretação do risco cardiovascular
Mais do que liberar números, o laboratório pode:
alertar sobre limitações do cálculo
orientar quando o LDL direto é indicado
contextualizar o risco por meio de índices
evitar interpretações simplistas
Exame bem interpretado antecipa decisões clínicas.
Cálculo prático: use a PipetaCalc
Para reduzir erros manuais e padronizar a interpretação, a PipetaCalc disponibiliza o cálculo automático do LDL-colesterol, utilizando a Fórmula de Friedewald, além de apoiar a análise integrada do perfil lipídico.
Acesse a calculadora.
A ferramenta é ideal para:
rotina laboratorial
ensino e treinamento
apoio à decisão clínica
Leitura rápida (para o plantão)
Índice de Castelli avalia o balanço entre risco e proteção
Friedewald estima o LDL a partir do lipidograma
Ambos têm utilidade, desde que bem interpretados
Triglicerídeos elevados limitam o cálculo
PipetaCalc facilita e padroniza a análise
Conclusão
O Índice de Castelli e a Fórmula de Friedewald seguem atuais porque traduzem o lipidograma em raciocínio clínico. Quando usados com critério, ajudam a estratificar risco, acompanhar pacientes e orientar decisões. Quando usados sem contexto, podem induzir a erros. A diferença está na interpretação e é exatamente aí que o laboratório faz a diferença.
Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas
Referências
American Heart Association (AHA).
Understanding Cholesterol Numbers and Ratios.
Aborda colesterol total, HDL, LDL, relações e risco cardiovascular.
https://www.heart.org/en/health-topics/cholesterol/about-cholesterolNational Center for Biotechnology Information (NCBI).
Friedewald WT, Levy RI, Fredrickson DS.
Estimation of the concentration of low-density lipoprotein cholesterol in plasma.
Artigo clássico que descreve a Fórmula de Friedewald e suas bases.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/4337382/American Association for Clinical Chemistry (AACC).
Lipid Panel (Cholesterol, Triglycerides, HDL, LDL).
Interpretação prática do lipidograma, limitações do LDL calculado e uso clínico.
https://labtestsonline.org/tests/lipid-panel
Deixe seu comentário












Confira nosso Canal!

Confira esses títulos abaixo:
Saiba por que o laboratório pede recoleta de exames, quando isso acontece, se significa erro, quais são os principais motivos técnicos e como a recoleta protege o paciente e o resultado.
Durante mais de um século, a gestão de pessoas evoluiu do controle rígido para a parceria estratégica. Entenda as lições da gestão moderna, o papel do comportamento, da liderança e da tecnologia na era digital.
Leitura rápida: principais pontos deste artigo
Para quem prefere uma visualização direta, os cards abaixo resumem os conceitos centrais abordados ao longo do texto, facilitando a revisão e a compreensão rápida dos temas discutidos.
Informações sobre saúde e Análises Clínicas para todos.
© 2025. Todos o Direitos Reservados - Pipeta e Pesquisa
BRASIL
TRÊS LAGOAS - MS
79600-000
Agendar Exames
Instrumental Laboratorial
Logística Laboratorial
"A Pipeta e Pesquisa opera através de suas unidades estratégicas: Pipeta Store, especializada em suprimentos; Pipeta Tech, focada em inovação laboratorial; e o Blog da Pipeta e Pesquisa, nosso hub de inteligência e educação."
