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Por que o laboratório pede recoleta? Entenda quando, por quê e o que isso significa

Saiba por que o laboratório pede recoleta de exames, quando isso acontece, se significa erro, quais são os principais motivos técnicos e como a recoleta protege o paciente e o resultado.

COLETA E PREPARO

Ariéu Azevedo Moraes

2/3/20265 min ler

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Por que o laboratório pede recoleta?

Entenda quando isso acontece e por quê

Receber uma ligação ou mensagem informando que um exame precisa ser recoletado costuma causar estranhamento. A reação mais comum é imediata:

“O exame deu errado?”
“O laboratório errou?”
“Isso significa que tenho algo grave?”

Na prática, a recoleta quase nunca está ligada a um erro clínico ou a um problema de saúde. Na maioria das vezes, ela representa exatamente o contrário: um cuidado extra para garantir que o resultado seja confiável.

Este artigo explica, em formato de FAQ, por que a recoleta acontece, quais são os motivos mais comuns e como esse processo protege o paciente.

O que é recoleta de exames?

Recoleta é a necessidade de colher uma nova amostra porque a anterior não oferece segurança analítica suficiente para a liberação do resultado.

Importante destacar:
a amostra pode ter sido colhida corretamente, mas algum fator pré-analítico, técnico ou de transporte pode ter comprometido sua qualidade.

Recoleta não é punição, não é descuido e não é falha automática.
É uma decisão técnica baseada em critérios de qualidade.

Recoleta significa erro do laboratório?

Na grande maioria das vezes, não.
O laboratório clínico trabalha com uma cadeia longa de etapas:

  • preparo do paciente

  • coleta

  • acondicionamento

  • transporte

  • processamento

  • análise

  • validação

Qualquer ponto dessa cadeia pode gerar uma interferência invisível a olho nu, mas detectável por controles internos de qualidade.
Pedir recoleta é assumir responsabilidade técnica, e não “empurrar” um resultado duvidoso.

Quais são os principais motivos para recoleta?

1. Hemólise da amostra

A hemólise ocorre quando os glóbulos vermelhos se rompem, liberando seu conteúdo no plasma ou soro.
Pode acontecer por:

  • uso de agulha inadequada

  • sucção excessiva

  • garroteamento prolongado

  • agitação excessiva do tubo


A hemólise interfere em vários exames (potássio, LDH, enzimas, bilirrubina, entre outros).
Quando detectada, o resultado pode ser falso — por isso a recoleta é indicada.

2. Coágulos em amostras inadequadas

A presença de microcoágulos é um motivo frequente de recoleta.
Isso ocorre, por exemplo, quando:

  • o tubo com anticoagulante não é homogeneizado corretamente

  • há atraso na mistura após a coleta

  • o volume de sangue está inadequado


Coágulos podem:

  • alterar contagens celulares

  • interferir em exames de coagulação

  • danificar equipamentos automatizados

3. Volume insuficiente

Alguns exames exigem volume mínimo para:

  • repetir a análise, se necessário

  • rodar controles

  • confirmar resultados alterados


Quando o volume é insuficiente, o laboratório precisa escolher entre:

  • liberar um resultado sem margem de segurança

  • recoletar para garantir confiabilidade


A escolha correta é a segunda.

4. Tubo ou anticoagulante inadequado

Cada exame exige um tipo específico de tubo:

  • EDTA

  • citrato

  • heparina

  • soro com ou sem gel


Usar o tubo errado pode:

  • quelar íons importantes

  • interferir em reações químicas

  • inviabilizar completamente a análise


Nesse cenário, não existe correção técnica possível — a recoleta é obrigatória.

5. Tempo excedido até a análise

Alguns analitos são instáveis e se alteram com o tempo, mesmo sob refrigeração.
Exemplos:

  • glicose

  • gasometria

  • lactato

  • alguns hormônios

Quando o tempo entre coleta e processamento ultrapassa o limite aceitável, o laboratório opta pela recoleta para evitar um resultado que não represente a condição real do paciente.

6. Interferência pré-analítica do paciente

Fatores ligados ao preparo também motivam recoleta:

  • jejum inadequado

  • uso de medicamentos não informado

  • atividade física intensa antes da coleta

  • ingestão recente de álcool

Nesses casos, a recoleta permite corrigir a condição de preparo e obter um resultado mais fiel.

O que aconteceria se o laboratório NÃO pedisse recoleta?

Essa é a pergunta mais importante.
Liberar um exame com amostra comprometida pode levar a:

  • diagnóstico incorreto

  • solicitação de exames desnecessários

  • uso inadequado de medicamentos

  • ansiedade injustificada do paciente

Recoletar é mais seguro do que “arriscar” um laudo.

A recoleta tem custo para o paciente?

Na maioria dos serviços:

  • quando a recoleta ocorre por motivo técnico, ela não gera custo adicional;

  • quando está relacionada a preparo inadequado, a política pode variar.

Laboratórios sérios costumam explicar claramente o motivo da recoleta e orientar o paciente sobre como evitar nova repetição.

O paciente pode fazer algo para evitar a recoleta?

Sim — e isso é um ponto-chave de educação em saúde.
Algumas atitudes ajudam muito:

  • seguir corretamente o preparo informado

  • respeitar jejum e horários

  • informar uso de medicamentos e suplementos

  • evitar esforço físico antes da coleta

  • manter o braço relaxado durante o procedimento

Esses cuidados reduzem drasticamente a chance de interferências.

Recoleta é comum em quais exames?

É mais frequente em:

  • exames de bioquímica sensíveis à hemólise

  • coagulação

  • gasometria

  • exames com volume mínimo rigoroso

  • amostras pediátricas ou de difícil acesso venoso

Isso não indica baixa qualidade — indica critérios técnicos mais rigorosos.

FAQ rápido – respostas diretas

Recoleta significa que meu exame “deu errado”?
Não. Significa que a amostra não estava adequada para um resultado confiável.

Recoleta quer dizer que tenho algo grave?
Não necessariamente. Na maioria das vezes, está relacionada apenas à qualidade da amostra.

Por que o laboratório só percebeu depois?
Porque algumas interferências só aparecem na fase analítica, quando o exame é processado.

É melhor repetir do que liberar?
Sempre. Segurança do resultado vem antes da pressa.

Resumimos então: recoleta é cuidado, não falha

Quando o laboratório pede uma recoleta, ele está, na verdade, fazendo uma escolha técnica e ética muito clara: preferir repetir a coleta a entregar um resultado que não seja seguro. Essa decisão nem sempre é compreendida de imediato, mas carrega um compromisso essencial com a qualidade e com a responsabilidade profissional.

Ao optar pela recoleta, o laboratório protege, antes de tudo, o paciente, evitando que um resultado influenciado por interferências leve a interpretações equivocadas, exames desnecessários ou tratamentos inadequados. Protege também o médico, que depende de dados confiáveis para tomar decisões clínicas seguras. E, naturalmente, protege o próprio laboratório, ao manter a integridade do laudo e a credibilidade do serviço prestado.

Entender a recoleta como parte do controle de qualidade — e não como falha — ajuda a reduzir a ansiedade, melhora a comunicação entre laboratório, equipe de saúde e paciente, e valoriza o papel técnico das análises clínicas no cuidado em saúde. No fim, a lógica é simples e inegociável: um resultado confiável sempre vale mais do que um resultado rápido.

Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas

Leitura complementar no Blog da Pipeta e Pesquisa

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