Parcerias institucionais estratégicas com empresas que vivem o universo das Análises Clínicas. Veja nosso portfólio institucional de divulgação.

Por que exames iguais podem dar resultados diferentes em laboratórios diferentes?
Entenda por que o mesmo exame pode apresentar valores diferentes entre laboratórios, o papel dos métodos, equipamentos, valores de referência e por que isso nem sempre significa erro.
COLETA E PREPARO
Ariéu Azevedo Moraes
2/10/20265 min ler


Por que exames iguais podem dar resultados diferentes em laboratórios diferentes?
É uma dúvida comum, e muitas vezes acompanhada de desconfiança:
“Fiz o mesmo exame em dois laboratórios e os valores deram diferentes. Um deles está errado?”
Na maioria das situações, não há erro algum. Resultados diferentes para o mesmo exame podem ocorrer por razões técnicas, metodológicas e biológicas perfeitamente explicáveis dentro da medicina laboratorial.
Neste artigo, em formato de FAQ, você vai entender por que isso acontece, quando é esperado, quando merece atenção e como interpretar esses resultados com mais segurança.
Antes de continuar, você pode se interessar por estes conteúdos:
Por que o laboratório pede recoleta?
Quando usar soro ou plasma no laboratório
Quando o sangue engana: interferências pré-analíticas nos exames hematológicos
Resultados diferentes significam que um laboratório errou?
Nem sempre.
Resultados diferentes não significam automaticamente erro, fraude ou falta de qualidade.
Os exames laboratoriais são influenciados por diversos fatores, como:
método analítico utilizado
equipamento
reagentes
unidades de medida
valores de referência
variabilidade biológica do próprio paciente
O mais importante não é comparar números isolados, mas entender o contexto do exame.
Por que o método do exame influencia o resultado?
Um mesmo analito pode ser medido por métodos diferentes, por exemplo:
métodos enzimáticos
imunológicos
colorimétricos
eletroquimioluminescência
Cada método tem:
sensibilidade própria
especificidade diferente
pequenas variações analíticas aceitáveis
Dois métodos diferentes podem medir a mesma substância, mas chegar a valores ligeiramente distintos, ambos corretos dentro de seus limites técnicos.
Equipamentos diferentes também interferem?
Sim, cada laboratório trabalha com analisadores automatizados específicos, de fabricantes diferentes, que utilizam:
tecnologias próprias
calibrações específicas
reagentes compatíveis com aquele sistema
Mesmo seguindo padrões internacionais, não existe um único equipamento universal. Por isso, pequenas variações entre plataformas são esperadas.
É exatamente por isso que cada laboratório valida seus métodos e acompanha rigorosamente o controle de qualidade interno e externo.
E os valores de referência? Por que mudam?
Essa é uma das maiores fontes de confusão.
Os valores de referência podem variar conforme:
método utilizado
população estudada
faixa etária
sexo
recomendações do fabricante ou de sociedades científicas
Assim, um mesmo resultado numérico pode aparecer como:
“normal” em um laboratório
“limítrofe” ou “alterado” em outro
Isso não significa erro, mas critérios de referência diferentes.
O horário, o jejum e o preparo também influenciam?
Sim, e influenciam muito. O próprio organismo apresenta variações fisiológicas ao longo do dia, o que já é suficiente para impactar resultados laboratoriais. A isso se somam fatores diretamente relacionados ao preparo do paciente. Um jejum inadequado, a ingestão recente de alimentos, a atividade física realizada antes da coleta, o estresse e o uso de medicamentos podem modificar parâmetros bioquímicos e hematológicos, mesmo quando o exame é realizado no mesmo laboratório, com o mesmo método e os mesmos equipamentos.
Essas interferências pré-analíticas ajudam a explicar por que resultados aparentemente discrepantes surgem entre coletas sucessivas. Quando o preparo não é considerado, a comparação entre exames feitos em dias diferentes perde confiabilidade e pode induzir a interpretações equivocadas.
Comparar exames realizados em momentos distintos sem levar em conta o preparo é uma armadilha comum na prática clínica e laboratorial.
A variabilidade do próprio paciente conta?
Conta, e costuma ser subestimada. O corpo humano não funciona como uma máquina estática e previsível. Existe a chamada variabilidade biológica, que representa as oscilações naturais dos parâmetros laboratoriais ao longo do tempo, mesmo em indivíduos saudáveis.
Na prática, isso significa que pequenas diferenças numéricas podem refletir apenas ajustes fisiológicos normais e que nem toda variação indica doença, agravamento ou falha terapêutica. Quando esse conceito é ignorado, há risco de excesso de exames, alarmismo desnecessário ou decisões clínicas precipitadas.
Por isso, na interpretação laboratorial, a tendência dos resultados ao longo do tempo costuma ser mais relevante do que um valor isolado, especialmente quando os achados permanecem dentro do contexto clínico esperado.
Quando a diferença entre exames deve preocupar?
Alguns cenários merecem atenção:
variações muito grandes em curto intervalo de tempo
mudança de categoria clínica (normal → muito alterado)
resultados incompatíveis com o quadro clínico
divergência persistente em exames seriados
Nesses casos, o médico pode:
solicitar repetição
manter acompanhamento no mesmo laboratório
correlacionar com outros exames e sinais clínicos
É melhor sempre fazer exames no mesmo laboratório?
Quando o objetivo é acompanhar evolução, sim.
Manter o acompanhamento no mesmo laboratório:
reduz variações metodológicas
facilita comparação histórica
melhora interpretação de tendência
Isso é especialmente importante em exames como:
colesterol
glicemia
hemoglobina glicada
hormônios
marcadores inflamatórios
Comparar exames de laboratórios diferentes é errado?
Não é errado, mas exige cuidado. Comparações diretas entre resultados de laboratórios distintos só fazem sentido quando o método analítico utilizado é semelhante, os valores de referência adotados são compatíveis e a interpretação é realizada por um profissional de saúde, capaz de contextualizar diferenças técnicas e clínicas.
Cada laboratório pode utilizar metodologias, equipamentos, reagentes e intervalos de referência próprios, o que faz com que pequenas variações numéricas não representem, necessariamente, mudança real no estado de saúde do paciente. Quando essa comparação é feita de forma automática, apenas “no olho”, sem considerar esses fatores, o resultado costuma ser confusão, insegurança e ansiedade desnecessária.
Na prática, o número isolado importa menos do que o conjunto de informações técnicas, clínicas e laboratoriais que sustentam aquele resultado.
FAQ – respostas diretas
Um laboratório é melhor que o outro porque deu resultado diferente?
Não. Diferença não define qualidade.
O laboratório pode “ajustar” resultados?
Não. Resultados seguem métodos validados e controles rigorosos.
Valores diferentes significam piora?
Nem sempre. Avalie tendência, clínica e referência.
Devo repetir o exame no mesmo lugar?
Sim, especialmente para acompanhamento.
Concluímos que: números parecidos não significam exames errados
Resultados laboratoriais não são verdades absolutas isoladas. Eles são ferramentas de apoio à decisão clínica, influenciadas por método, equipamento, preparo e pelo próprio organismo do paciente.
Entender por que exames iguais podem apresentar valores diferentes ajuda a:
reduzir ansiedade
evitar comparações injustas
valorizar o papel técnico do laboratório
melhorar a comunicação com o médico
No fim, o mais importante não é o número sozinho, mas a interpretação correta dentro do contexto clínico.
Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas
Referências
Plebani M. Harmonization in laboratory medicine: the complete picture. Clin Chem Lab Med. 2013;51(4):741–751. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23435100/
Fraser CG. Biological variation: from principles to practice. AACC Clin Lab News. 2012. Disponível em: https://books.google.com.br/books/about/Biological_Variation.html?id=1YsDPMABuwEC&redir_esc=y
Tate JR, Johnson R, Barth JH, Panteghini M. Harmonization of laboratory testing: current achievements and future strategies. Clin Chim Acta. 2014;432:4–7. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4975213/
Deixe seu comentário












Confira nosso Canal!

Confira esses títulos abaixo:
Margarina ou manteiga: qual pesa mais no lipidograma? Entenda como cada tipo de gordura influencia LDL, HDL e triglicerídeos e o que realmente impacta o colesterol.
Entenda o Índice de Produção de Reticulócitos (IPR), quando calcular, como interpretar e por que ele diferencia anemias hipoproliferativas de quadros regenerativos. Inclui calculadora prática e leitura integrada do hemograma.
Leitura rápida: principais pontos deste artigo
Para quem prefere uma visualização direta, os cards abaixo resumem os conceitos centrais abordados ao longo do texto, facilitando a revisão e a compreensão rápida dos temas discutidos.
Informações sobre saúde e Análises Clínicas para todos.
© 2025. Todos o Direitos Reservados - Pipeta e Pesquisa
BRASIL
TRÊS LAGOAS - MS
79600-000
Agendar Exames
Instrumental Laboratorial
Logística Laboratorial
"A Pipeta e Pesquisa opera através de suas unidades estratégicas: Pipeta Store, especializada em suprimentos; Pipeta Tech, focada em inovação laboratorial; e o Blog da Pipeta e Pesquisa, nosso hub de inteligência e educação."
