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Margarina x Manteiga: Qual Impacta Mais o Lipidograma e o Colesterol?

Margarina ou manteiga: qual pesa mais no lipidograma? Entenda como cada tipo de gordura influencia LDL, HDL e triglicerídeos e o que realmente impacta o colesterol.

ATUALIDADES

Ariéu Azevedo Moraes

2/12/20266 min ler

Manteiga ou Margarina qual altera mais o lipidograma
Manteiga ou Margarina qual altera mais o lipidograma

Margarina x manteiga: quem pesa mais no lipidograma?

Você já ouviu que margarina é sempre melhor que manteiga? Durante décadas, essa ideia circulou com força, inclusive dentro de consultórios e laboratórios. Mas quando colocamos essa disputa sob a lente do lipidograma, a resposta fica bem menos simplista e muito mais interessante.

Neste artigo, vamos além do “vilã ou mocinha” e analisamos como margarina e manteiga impactam colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, com base no tipo de gordura, grau de processamento e contexto alimentar. Um conteúdo direto, atualizado e alinhado ao raciocínio laboratorial, do jeitinho Pipeta e Pesquisa.

O lipidograma não julga alimentos, julga padrões

Antes de apontar culpados, vale lembrar:
o lipidograma reflete padrões metabólicos, não apenas um alimento isolado.
Ele avalia principalmente:

  • Colesterol total

  • LDL-colesterol

  • HDL-colesterol

  • Triglicerídeos

Esses marcadores sofrem influência de tipo de gordura, frequência de consumo, quantidade, perfil genético, estado inflamatório e até interferências pré-analíticas.
Ou seja: não é só “o que você come”, mas como, quanto e com que frequência.

Se você já tem seu lipidograma em mãos, vale ir além dos valores isolados de LDL e HDL. Muitas vezes, o que realmente muda a interpretação clínica são as relações aterogênicas. Para isso, a PipetaCalc permite calcular automaticamente o Índice de Castelli e outras relações importantes do perfil lipídico, transformando números soltos em raciocínio aplicado.

É uma forma prática de aprofundar a análise antes mesmo da consulta, com base técnica e sem achismos.
Acesse o calculo aqui.

Manteiga: natural, mas rica em gordura saturada

A manteiga é um alimento de origem animal, obtido a partir da gordura do leite, e seu perfil lipídico já foi amplamente estudado na literatura científica. Do ponto de vista laboratorial, o que realmente importa não é apenas o fato de ser “natural”, mas a sua composição: ela apresenta alta concentração de gordura saturada, contém colesterol dietético e passa por baixo grau de processamento quando comparada a produtos industrializados.

Essas características ajudam a entender seu impacto no lipidograma. O consumo frequente e em maior quantidade pode contribuir para a elevação do LDL-colesterol, especialmente em indivíduos geneticamente mais sensíveis à ingestão de gordura saturada. Por outro lado, costuma exercer pouca influência direta sobre os triglicerídeos e, em alguns perfis metabólicos, pode até manter ou elevar discretamente o HDL-colesterol, o que demonstra que a resposta não é uniforme para todos.

Na prática laboratorial, não é raro observar LDL persistentemente elevado em pacientes que consomem manteiga diariamente, mesmo quando relatam outros hábitos considerados saudáveis. Esse padrão reforça que a interpretação do exame deve considerar frequência de consumo, contexto metabólico e histórico clínico — não apenas a presença isolada de um alimento na dieta.

Margarina: vegetal, mas nem sempre inocente

A margarina surgiu como alternativa à manteiga, produzida a partir de óleos vegetais, com a proposta de oferecer uma opção teoricamente mais favorável ao perfil lipídico. No entanto, o ponto central dessa discussão não está apenas na origem vegetal, mas principalmente no processamento industrial, que pode variar significativamente entre marcas, fórmulas e gerações do produto.

Historicamente, muitas margarinas continham gorduras trans, associadas de forma consistente ao aumento do LDL-colesterol, à redução do HDL-colesterol e ao maior risco cardiovascular. Esse foi um dos períodos em que a substituição da manteiga pela margarina nem sempre trouxe o benefício esperado no lipidograma — e, em alguns casos, piorou o perfil aterogênico.

Atualmente, diversas marcas reduziram ou eliminaram as gorduras trans. Ainda assim, algumas formulações podem conter gorduras interesterificadas, além de aditivos, emulsificantes e proporções elevadas de ômega-6. Quando há desequilíbrio na relação entre ômega-6 e ômega-3, pode surgir um ambiente metabólico mais pró-inflamatório, especialmente em dietas já ricas em ultraprocessados.

No lipidograma, o impacto depende diretamente da formulação e do padrão alimentar do indivíduo. Algumas margarinas podem levar a elevação do LDL semelhante ou até maior que a manteiga, dependendo da composição. Em determinados perfis, observa-se também redução do HDL, além de possível aumento de triglicerídeos quando o consumo está inserido em uma dieta rica em produtos industrializados.

Na prática laboratorial, a margarina costuma aparecer associada a perfis dislipidêmicos quando faz parte de um padrão alimentar ultraprocessado, reforçando que o exame não responde apenas ao tipo de gordura, mas ao conjunto metabólico em que ela está inserida.

O erro comum na interpretação do colesterol

Um cenário clássico no laboratório:

Paciente troca manteiga por margarina “light”, o LDL não melhora — às vezes piora, o HDL cai
Triglicerídeos sobem discretamente.

Isso acontece porque:

  • O rótulo “light” não significa metabolicamente neutro

  • A composição lipídica importa mais que o marketing

  • O organismo responde diferente a gorduras artificiais

Cálculo sem interpretação gera falsa segurança.

Alterações persistentes no perfil lipídico não devem ser analisadas de forma isolada, principalmente em pacientes com sintomas ou histórico cardiovascular. Em cenários de suspeita de evento agudo, marcadores como a Troponina I e T assumem protagonismo na avaliação de lesão miocárdica. Para compreender quando dosar, como interpretar e qual a diferença entre as frações, você pode complementar a leitura com este artigo detalhado.

Além da troponina, marcadores como CK e CK-MB ainda fazem parte do raciocínio laboratorial em contextos específicos de lesão muscular e cardíaca. Entender seus valores de referência e limitações evita interpretações equivocadas e amplia a visão clínica sobre risco cardiovascular e dano tecidual. Se quiser revisar esses conceitos de forma clara e aplicada à prática laboratorial, confira o conteúdo completo

O que realmente ajuda o lipidograma?

Mais importante do que escolher entre margarina ou manteiga é olhar o padrão alimentar como um todo:

  • Priorizar gorduras naturais:

    • Azeite de oliva

    • Abacate

    • Oleaginosas

  • Reduzir ultraprocessados

  • Avaliar consumo de carboidratos simples (impactam triglicerídeos)

  • Observar contexto clínico e inflamatório


No laboratório, isso se traduz em:

  • LDL mais estável

  • HDL funcional

  • Triglicerídeos controlados

E quando o exame vem alterado?

Quando falamos em impacto de margarina ou manteiga no colesterol, não basta olhar apenas o LDL isoladamente. O Índice de Castelli e a Fórmula de Friedewald ajudam a compreender o equilíbrio entre lipoproteínas aterogênicas e protetoras, oferecendo uma visão mais refinada do risco cardiovascular. Se você deseja entender como esses cálculos funcionam, quando são aplicáveis e quais são suas limitações, vale aprofundar a leitura neste conteúdo completo do blog. E quando o lipidograma apresenta alterações persistentes, vale ir além do “corte de alimentos” e avaliar:

  • Histórico alimentar real

  • Uso de produtos “diet/light”

  • Marcadores inflamatórios associados

  • Índices de risco cardiovascular (como Castelli)


A interpretação integrada evita decisões equivocadas e melhora o cuidado com o paciente.

Concluímos assim:

Nem toda margarina é melhor que a manteiga.
E nem toda manteiga é a grande vilã do colesterol.
No lipidograma, o que pesa mais é:

  • Grau de processamento

  • Tipo de gordura

  • Frequência de consumo

  • Contexto metabólico individual

No fim das contas, margarina ou manteiga são apenas parte da equação. O que realmente orienta condutas é a interpretação técnica do lipidograma dentro do contexto clínico. Se você deseja analisar seus exames com mais profundidade, calcular índices aterogênicos e entender como cada marcador conversa com o risco cardiovascular, utilize a PipetaCalc e explore os conteúdos complementares do blog. Interpretar é mais importante do que simplesmente medir.

Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas

Referências

  • Mensink RP, Zock PL, Kester AD, Katan MB. Effects of dietary fatty acids and carbohydrates on serum total to HDL cholesterol ratio and serum lipids: a meta-analysis of 60 controlled trials. Am J Clin Nutr. 2003;77(5):1146–1155. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ajcn/77.5.1146

  • Mozaffarian D, Katan MB, Ascherio A, Stampfer MJ, Willett WC. Trans fatty acids and cardiovascular disease. N Engl J Med. 2006;354(15):1601–1613. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra054035

  • Sacks FM, Lichtenstein AH, Wu JHY, et al. Dietary fats and cardiovascular disease: a presidential advisory from the American Heart Association. Circulation. 2017;136(3):e1–e23. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000000510

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