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Tipos de alterações no leucograma: nomenclatura e interpretação prática
Entenda as alterações do leucograma: o que significam neutrofilia, neutropenia, eosinofilia, linfocitose e linfopenia, quando suspeitar de infecção, inflamação ou outras condições e como interpretar com segurança no laboratório.
Ariéu Azevedo Moraes
1/13/20264 min ler


Tipos de alterações no leucograma: nomenclatura e interpretação
O leucograma é uma das partes mais “falantes” do hemograma. Mesmo quando o paciente não relata sintomas claros, alterações nos leucócitos costumam sinalizar processos infecciosos, inflamatórios, alérgicos, imunológicos ou efeitos de medicamentos.
Na prática, interpretar bem o leucograma vai além de decorar nomes. É entender qual célula mudou, para cima ou para baixo, e em que contexto clínico isso aconteceu.
Neste artigo, você encontra:
a nomenclatura correta das principais alterações;
o que significa cada uma delas;
pistas práticas para a interpretação no dia a dia do laboratório.
Antes de tudo: o que é o leucograma?
O leucograma corresponde à avaliação dos leucócitos (glóbulos brancos) no sangue periférico. Ele inclui:
contagem total de leucócitos;
contagem diferencial (neutrófilos, linfócitos, eosinófilos, basófilos e monócitos), em valores absolutos e percentuais.
Dica-chave: sempre priorize a contagem absoluta na interpretação. Percentuais isolados podem enganar.
Leitura recomendada
Para aprofundar ainda mais sua compreensão sobre leucócitos e hemograma:
Leucograma: entendendo leucócitos, valores relativos e absolutos
Parasitas que causam eosinofilia: o que o hemograma revela e quando investigar verminoses
Nomenclatura básica das alterações
A lógica da nomenclatura é simples:
“-filia” / “-citose” → aumento da célula
“-penia” → diminuição da célula
Exemplos:
Neutrófilos ↑ → neutrofilia
Neutrófilos ↓ → neutropenia
Tabela rápida – principais alterações do leucograma está nas imagens
Neutrofilia: quando os “primeiros socorristas” sobem
A neutrofilia é o aumento do número absoluto de neutrófilos no sangue periférico.
Principais causas
Infecções bacterianas (especialmente agudas)
Inflamação tecidual (trauma, cirurgia, queimaduras)
Uso de corticosteroides
Estresse fisiológico intenso
Necrose tecidual (ex.: infarto)
Dica de interpretação
Neutrofilia com desvio à esquerda (aumento de bastonetes) costuma reforçar processo infeccioso ou inflamatório agudo.
Neutrofilia sem desvio pode ocorrer por estresse ou uso de medicamentos.
Neutropenia: atenção ao risco infeccioso
A neutropenia corresponde à redução do número absoluto de neutrófilos.
Principais causas
Infecções virais
Quimioterapia e radioterapia
Doenças autoimunes
Deficiências medulares
Uso de alguns fármacos
Importância clínica
Quanto menor o número de neutrófilos, maior o risco de infecções graves.
Neutropenias moderadas a graves exigem atenção clínica imediata, principalmente em pacientes imunossuprimidos.
No laboratório, a identificação correta da neutropenia ajuda a priorizar comunicação crítica com a equipe assistencial.
Eosinofilia: quando pensar além da alergia
A eosinofilia é o aumento dos eosinófilos circulantes.
Principais causas
Doenças alérgicas (asma, rinite, dermatites)
Infecções parasitárias (especialmente helmintos)
Reações medicamentosas
Algumas doenças autoimunes e neoplasias hematológicas
Dica prática
Eosinofilia persistente merece investigação.
Associar com história clínica, sintomas alérgicos, exames parasitológicos e outros marcadores evita interpretações simplistas.
Linfocitose: resposta imune em ação
A linfocitose é o aumento do número absoluto de linfócitos.
Principais causas
Infecções virais (muito comum)
Algumas infecções bacterianas específicas
Fase de recuperação de infecções
Doenças linfoproliferativas (em casos persistentes ou muito elevados)
Ponto de atenção
Em crianças, a linfocitose pode ser fisiológica.
Em adultos, linfocitose persistente ou muito elevada pede correlação com esfregaço sanguíneo e quadro clínico.
Linfopenia: sinal de alerta imunológico
A linfopenia é a redução do número absoluto de linfócitos.
Principais causas
Infecções virais graves
Uso prolongado de corticosteroides
Doenças autoimunes
Imunodeficiências
Estresse fisiológico intenso
Interpretação clínica
Linfopenia pode indicar imunossupressão funcional.
Em contexto de infecção, costuma se associar a quadros mais graves.
Um erro comum: olhar só o percentual
Um clássico na rotina:
“Linfócitos 50% — então é linfocitose.”
Nem sempre. Se o total de leucócitos estiver baixo, o percentual pode subir sem aumento absoluto real.
Regra prática:
Sempre confirme:
valor absoluto da célula
contagem total de leucócitos
tendência (comparação com exames anteriores)
Leucograma isolado não fecha diagnóstico
O leucograma orienta, mas não sentencia. Ele ganha força quando interpretado junto com:
sinais e sintomas clínicos;
outros exames laboratoriais (PCR, procalcitonina, sorologias);
histórico do paciente e uso de medicamentos.
No laboratório, o papel não é “dar o diagnóstico”, mas entregar um resultado tecnicamente correto, bem interpretável e contextualizado.
Concluímos que
As alterações do leucograma seguem uma nomenclatura lógica e ajudam a contar a história do que está acontecendo no organismo.
Neutrofilia, neutropenia, eosinofilia, linfocitose e linfopenia não são apenas palavras técnicas: são pistas valiosas quando analisadas com critério.
Entender essas alterações:
melhora a comunicação com a clínica;
reduz interpretações equivocadas;
valoriza o papel do laboratório na tomada de decisão.
Se você trabalha com análises clínicas, dominar o leucograma é um passo essencial para transformar números em informação útil e segura.
Ariéu Azevedo Moraes
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Referências
Bain BJ. Blood cells: a practical guide. 5th ed. Oxford: Wiley-Blackwell; 2015.
McPherson RA, Pincus MR. Henry’s clinical diagnosis and management by laboratory methods. 24th ed. St. Louis: Elsevier; 2021.
Hoffbrand AV, Moss PAH. Essential haematology. 8th ed. Hoboken: Wiley-Blackwell; 2019.
Segel GB, Halterman JS. Neutropenia in pediatric practice. Pediatr Rev. 2008;29(1):12–24.
Valent P, Klion AD, Horny HP, et al. Contemporary consensus proposal on criteria and classification of eosinophilic disorders and related syndromes. J Allergy Clin Immunol. 2012;130(3):607–612.
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