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Relação CK/CK-MB: como interpretar o exame e evitar erros no laboratório
Entenda a relação CK/CK-MB, quando solicitar, como interpretar e quais armadilhas pré-analíticas podem confundir o diagnóstico. Inclui cálculo prático na PipetaCalc.
BIOQUÍMICA
Ariéu Azevedo Moraes
1/12/20264 min ler


Relação CK/CK-MB: quando o número faz diferença na interpretação clínica
A relação CK/CK-MB ajuda a diferenciar a origem da elevação da creatina quinase, indicando se o aumento está mais associado ao músculo esquelético ou ao músculo cardíaco. Quando interpretada em conjunto com o quadro clínico, tempo de evolução e outros marcadores, ela reduz erros diagnósticos e evita conclusões precipitadas no laboratório.
Por que ainda falar de CK e CK-MB?
Mesmo com a ampla utilização das troponinas, a CK e a CK-MB continuam presentes na rotina laboratorial, especialmente em prontos-socorros, hospitais de menor porte, monitoramento seriado e na investigação de lesão muscular não cardíaca.
O problema não está no exame em si, mas na leitura isolada. É aí que a relação CK/CK-MB ganha importância: ela organiza o raciocínio e ajuda a responder a pergunta certa.
Nem toda CK alta aponta para o coração.
Relembrando o básico
CK (Creatina Quinase total): enzima presente principalmente no músculo esquelético, músculo cardíaco e cérebro.
CK-MB: isoenzima com maior afinidade pelo músculo cardíaco, mas que não é exclusiva do coração.
Exercício intenso, trauma, convulsão, rabdomiólise, injeções intramusculares e até procedimentos recentes podem elevar a CK total e, em menor grau, a CK-MB.
O que é a relação CK/CK-MB?
A relação CK/CK-MB expressa, em percentual, quanto a CK-MB representa do valor total da CK.
De forma simplificada:
Relação baixa → sugere predomínio de origem cardíaca
Relação alta → sugere predomínio de origem muscular esquelética
Esse cálculo não substitui o diagnóstico, mas orienta a interpretação.
Quando a relação CK/CK-MB é realmente útil?
Ela se torna especialmente relevante em situações como:
CK total muito elevada com dúvida sobre origem
CK-MB discretamente aumentada fora de contexto típico de infarto
Monitoramento de dor torácica em serviços sem troponina de alta sensibilidade
Diferenciação entre lesão muscular extensa e possível acometimento cardíaco
No laboratório, a relação evita o erro clássico: chamar de “cardíaco” aquilo que é muscular.
Interpretação prática (o que o laboratório precisa enxergar)
Sem entrar em valores rígidos (que variam conforme método e referência), o raciocínio é:
CK total alta + CK-MB proporcionalmente baixa
→ provável origem muscular esqueléticaCK total moderada + CK-MB proporcionalmente elevada
→ aumenta a suspeita de envolvimento cardíacoCK-MB isoladamente alterada, sem contexto clínico
→ cuidado com falso positivo
A relação organiza o pensamento, mas o contexto decide.
Atenção às armadilhas pré-analíticas
A relação CK/CK-MB pode ser distorcida por fatores comuns na rotina:
coleta após exercício físico intenso
trauma muscular recente
injeções intramusculares
cirurgias ou procedimentos invasivos
hemólise da amostra
atraso entre início dos sintomas e coleta
Um número correto pode levar a uma interpretação errada se o contexto for ignorado.
CK/CK-MB não caminha sozinha
A boa prática laboratorial considera a relação CK/CK-MB em conjunto com:
quadro clínico (dor torácica, irradiação, tempo de início)
eletrocardiograma
troponina (quando disponível)
histórico recente de esforço ou trauma
exames seriados
Exame isolado não fecha diagnóstico. Exame interpretado orienta conduta.
Cálculo prático: use a PipetaCalc
Para facilitar a rotina e reduzir erros manuais, a PipetaCalc disponibiliza o cálculo automático da relação CK/CK-MB.
Acesse a calculadora:
Ela permite inserir os valores e obter rapidamente a relação, apoiando a interpretação técnica no dia a dia do laboratório.
Quer aprofundar o tema? Comece por este artigo do blog
Se você quer revisar desde os conceitos básicos até valores de referência, aplicações e diferenças entre CK e CK-MB, este conteúdo do blog é o ponto de partida ideal:
CK e CK-MB: o que são, para que servem e valores de referência explicados
Esse artigo complementa a leitura e ajuda a consolidar o raciocínio antes de aplicar a relação na prática.
Leitura rápida | Resumo para o plantão
CK elevada não significa, automaticamente, lesão cardíaca
CK-MB não é exclusiva do coração
A relação CK/CK-MB ajuda a diferenciar origem muscular vs. cardíaca
Contexto clínico e pré-analítica são decisivos
A PipetaCalc facilita o cálculo e reduz erros
Finalizamos assim
A relação CK/CK-MB é uma ferramenta simples, mas poderosa, quando usada com critério. Ela não substitui marcadores mais específicos, nem fecha diagnóstico sozinha, mas organiza o raciocínio laboratorial e evita interpretações precipitadas. Em um cenário de decisões rápidas e alto impacto clínico, interpretar bem vale tanto quanto medir corretamente.
Ariéu Azevedo Moraes
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Referências
National Center for Biotechnology Information (NCBI). Creatine Kinase. Visão geral sobre CK, isoenzimas e aplicações clínicas.
National Center for Biotechnology Information (NCBI). CK-MB (Creatine Kinase-MB). Detalha a CK-MB, limitações diagnósticas e interferências.
American Association for Clinical Chemistry (AACC). CK-MB Test. Uso atual, interpretação e papel frente às troponinas.
American Heart Association (AHA). Cardiac Biomarkers and Acute Coronary Syndromes. Contextualiza CK-MB e troponinas no diagnóstico de SCA.
Clinical Chemistry. Apple FS, Murakami MM. Cardiac troponin and CK-MB: where are we now? Discussão sobre limitações da CK-MB e interpretação integrada.
European Society of Cardiology (ESC). Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Diretrizes que explicam a substituição progressiva da CK-MB pela troponina, sem excluir seu uso contextual.
CK e CK-MB: o que são, para que servem e valores de referência explicados
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