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Homocisteína: o que é, por que aumenta e como impacta o risco cardiovascular
Entenda o exame de homocisteína, suas causas de elevação, relação com vitaminas B12 e ácido fólico, inflamação, trombose e risco cardiovascular. Saiba como interpretar corretamente.
BIOQUÍMICA
Ariéu Azevedo Moraes
1/19/20266 min ler


Homocisteína: o marcador silencioso que conecta vitaminas, inflamação e risco cardiovascular
A homocisteína é um daqueles exames que passam despercebidos na rotina, mas que carregam um peso clínico enorme. Muitas vezes solicitada em avaliações cardiovasculares, neurológicas ou nutricionais, ela atua como um marcador metabólico sensível, capaz de revelar desequilíbrios que não aparecem em exames mais tradicionais.
Ao contrário do que muitos pensam, a homocisteína não é apenas um “exame de coração”. Seus níveis refletem a integração entre metabolismo das vitaminas do complexo B, função endotelial, inflamação, coagulação e risco trombótico. Quando interpretada corretamente, ela antecipa problemas e amplia o raciocínio clínico.
A homocisteína é um marcador metabólico associado à deficiência de vitaminas do complexo B, inflamação e risco cardiovascular, devendo sempre ser interpretada em conjunto com vitamina B12, ácido fólico e função renal.
O que é a homocisteína?
A homocisteína é um aminoácido sulfurado produzido naturalmente no organismo durante o metabolismo da metionina, um aminoácido essencial obtido principalmente por meio da alimentação, especialmente em dietas ricas em proteínas de origem animal.
Em condições normais, a homocisteína não se acumula no sangue. Ela é rapidamente metabolizada por duas vias principais:
Remetilação, que converte homocisteína novamente em metionina
Transulfuração, que a transforma em cisteína
Ambos os caminhos dependem diretamente de vitaminas do complexo B, especialmente ácido fólico (B9), vitamina B12 e vitamina B6. Quando há deficiência dessas vitaminas, alterações genéticas ou sobrecarga metabólica, a homocisteína se eleva.
Para que serve o exame de homocisteína?
O exame de homocisteína é utilizado como marcador de risco e de investigação metabólica, sendo útil em diferentes cenários clínicos, como:
Avaliação do risco cardiovascular e trombótico
Investigação de deficiência de vitamina B12, B9 e B6
Apoio na avaliação de doenças neurológicas e cognitivas
Investigação de trombose em pacientes jovens
Avaliação de infertilidade, abortos recorrentes e complicações gestacionais
Monitoramento de pacientes com doença renal crônica
Mais do que um exame isolado, a homocisteína ajuda a conectar achados laboratoriais aparentemente desconexos.
Valores de referência da homocisteína
Os valores podem variar conforme o método e o laboratório, mas geralmente são classificados como:
Normal: até 10 µmol/L
Levemente elevada: 10–15 µmol/L
Moderadamente elevada: 15–30 µmol/L
Gravemente elevada: acima de 30 µmol/L
Mesmo elevações discretas já possuem relevância clínica, especialmente em pacientes com fatores de risco associados.
Homocisteína elevada: por que isso preocupa?
A hiper-homocisteinemia está associada a diversos efeitos deletérios no organismo. Entre os principais mecanismos descritos estão:
Dano ao endotélio vascular
Aumento do estresse oxidativo
Estímulo à inflamação crônica
Maior ativação plaquetária e pró-coagulante
Esses efeitos explicam por que a homocisteína elevada se relaciona com doenças cardiovasculares, trombose venosa e arterial, AVC e complicações gestacionais.
Principais causas de homocisteína alta
A deficiência de vitaminas do complexo B representa a causa mais frequente de elevação da homocisteína. A falta de vitamina B12, ácido fólico ou vitamina B6 compromete diretamente as vias metabólicas responsáveis por converter a homocisteína em compostos não tóxicos, favorecendo o seu acúmulo no sangue. Esse cenário é particularmente comum em pessoas que seguem dietas restritivas ou veganas sem suplementação adequada, em idosos, em pacientes com distúrbios de absorção intestinal e naqueles que fazem uso prolongado de determinados medicamentos, como metformina e inibidores da bomba de prótons.
Outra causa relevante envolve as alterações genéticas, com destaque para as mutações na enzima MTHFR. Essas alterações reduzem a capacidade do organismo de converter o ácido fólico em sua forma biologicamente ativa, essencial para o metabolismo da homocisteína. Nesses casos, mesmo com ingestão adequada de folato, os níveis de homocisteína podem permanecer elevados, exigindo atenção especial à suplementação, muitas vezes com formas já ativas das vitaminas do complexo B.
A doença renal crônica também contribui para o aumento da homocisteína. Os rins participam de sua depuração, e à medida que a função renal se reduz, a capacidade de eliminação diminui, levando a uma elevação progressiva dos níveis plasmáticos. Por isso, a homocisteína costuma estar aumentada em pacientes com comprometimento renal, especialmente em estágios mais avançados da doença.
No hipotireoidismo, o metabolismo global do organismo torna-se mais lento, o que favorece o acúmulo de homocisteína. Nesse contexto, o exame pode atuar como um marcador complementar, ajudando a identificar alterações metabólicas associadas aos distúrbios endócrinos da tireoide.
Por fim, o estilo de vida exerce influência significativa sobre os níveis de homocisteína. Tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo contribuem para o aumento desse marcador, assim como dietas ricas em proteína animal e pobres em vegetais, que reduzem a ingestão natural de folato e outros micronutrientes protetores. Esses fatores reforçam a importância de avaliar a homocisteína dentro de um contexto amplo, que inclua hábitos de vida, alimentação e condições clínicas associadas.
Homocisteína e risco cardiovascular
A homocisteína atua como um fator de risco independente para eventos cardiovasculares. Mesmo quando colesterol, LDL e triglicerídeos estão normais, níveis elevados de homocisteína aumentam o risco de:
Aterosclerose
Infarto agudo do miocárdio
Acidente vascular cerebral (AVC)
Doença arterial periférica
Ela não substitui o lipidograma, mas complementa a estratificação de risco, especialmente em pacientes jovens ou com histórico familiar.
Homocisteína e sistema nervoso
Níveis elevados de homocisteína estão associados a:
Declínio cognitivo
Demência
Doença de Alzheimer
Depressão
Neuropatias periféricas
Isso ocorre porque a homocisteína exerce efeito neurotóxico e está diretamente ligada ao metabolismo da vitamina B12, essencial para a saúde neurológica.
Homocisteína na gestação
Durante a gestação, a homocisteína tende a se manter mais baixa. Quando elevada, está associada a:
Abortos recorrentes
Pré-eclâmpsia
Restrição de crescimento fetal
Defeitos do tubo neural
Por isso, sua avaliação pode ser relevante em mulheres com histórico obstétrico desfavorável.
Homocisteína não anda sozinha: exames que devem ser avaliados juntos
A interpretação adequada da homocisteína envolve correlação com:
Vitamina B12
Ácido fólico
Vitamina B6
Perfil lipídico
Essa leitura integrada evita condutas isoladas e direciona intervenções mais eficazes.
Homocisteína baixa tem significado clínico?
De modo geral, valores baixos de homocisteína não apresentam relevância clínica significativa. Na maioria das vezes, eles refletem uma boa disponibilidade de vitaminas do complexo B, especialmente ácido fólico e vitamina B12, indicando que as vias metabólicas responsáveis pela sua conversão estão funcionando de forma adequada. Em algumas situações, níveis mais baixos também podem ser observados em decorrência do aumento do volume plasmático, como ocorre fisiologicamente durante a gestação, sem que isso represente qualquer condição patológica.
Interferências pré-analíticas
Assim como outros exames bioquímicos, a dosagem da homocisteína pode sofrer influência de fatores relacionados à fase pré-analítica. Jejum inadequado, por exemplo, pode alterar o resultado, uma vez que a ingestão recente de alimentos interfere no metabolismo dos aminoácidos. A hemólise da amostra também pode comprometer a análise, liberando componentes celulares que interferem na dosagem. Além disso, o atraso no processamento da amostra favorece alterações na concentração de homocisteína, reduzindo a confiabilidade do resultado. Outro ponto importante é o uso recente de suplementos vitamínicos, especialmente aqueles contendo ácido fólico, vitamina B12 ou B6, que podem reduzir artificialmente os níveis séricos.
Por isso, a orientação pré-analítica adequada — incluindo jejum conforme recomendado, coleta e processamento corretos da amostra e registro do uso de suplementos — é fundamental para garantir resultados confiáveis e uma interpretação clínica segura.
Homocisteína: um marcador de prevenção
A grande força da homocisteína está na prevenção. Ela permite identificar riscos antes que eventos clínicos aconteçam, principalmente quando combinada com outros exames laboratoriais.
Não se trata de um exame isolado ou definitivo, mas de uma peça-chave no quebra-cabeça metabólico, cardiovascular e neurológico.
Sabemos então:
A homocisteína é um marcador bioquímico que conecta vitaminas, inflamação, endotélio vascular, coagulação e sistema nervoso. Sua elevação sinaliza desequilíbrios silenciosos que, quando identificados precocemente, podem ser corrigidos antes de se transformarem em doenças estabelecidas.
No laboratório e na clínica, interpretar a homocisteína de forma integrada amplia a visão do profissional de saúde e fortalece estratégias de prevenção, acompanhamento e cuidado a longo prazo.
Referências:
Selhub J. Homocysteine metabolism. Annu Rev Nutr. 1999;19:217–246.
Welch GN, Loscalzo J. Homocysteine and atherothrombosis. N Engl J Med. 1998;338(15):1042–1050.
Clarke R, et al. Homocysteine and risk of ischemic heart disease and stroke. JAMA. 2002;288(16):2015–2022.
Smith AD, Refsum H. Homocysteine, B vitamins, and cognitive impairment. Annu Rev Nutr. 2016;36:211–239.
Lentz SR. Mechanisms of homocysteine-induced atherothrombosis. J Thromb Haemost. 2005;3(8):1646–1654.
Refsum H, et al. Facts and recommendations about total homocysteine determinations. Clin Chem. 2004;50(1):3–32.
Fenech M. Folate, DNA damage and the aging brain. Mech Ageing Dev. 2010;131(4):236–241.
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