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Leveduras na urina: achado comum, interpretação crítica
Leveduras na urina são sempre candidúria? Entenda quando o achado é contaminação, quando indica infecção fúngica verdadeira e quando pedir urocultura para Candida.
MICROBIOLOGIAURINÁLISE
Ariéu Azevedo Moraes
9/20/20255 min ler


Comum ou Infecção?
Leveduras na urina nem sempre significam infecção — e é aqui que muita interpretação se perde. Em boa parte dos casos, esse achado do EAS é apenas contaminação da amostra, especialmente em mulheres. Mas há situações em que ele sinaliza algo muito maior: candidúria verdadeira, frequentemente associada a diabetes, sondagem vesical ou uso prolongado de antibióticos.
Saber quando ignorar e quando investigar é o que diferencia uma interpretação segura de um erro que pode mudar conduta.
por isso este artigo responde, de forma objetiva:
quando leveduras são apenas contaminação
quando realmente indicam infecção fúngica
quando pedir urocultura específica para fungos
quando tratar — e quando não tratar
Em amostras com suspeita de candidúria, observar o contexto do sedimento é decisivo. Mudanças de aspecto e coloração podem coexistir com fungos relembre os padrões em: Urina escura? Cuidado! Além disso, a identificação de estruturas tubulares no sedimento pode modificar a interpretação global do caso veja: Cilindros Urinários.
O caso de Ana: quando um achado muda a conduta
Ana, 61 anos, estava internada há mais de uma semana com diagnóstico de infecção urinária bacteriana. Era diabética, usava sonda vesical e já havia feito dois ciclos de antibióticos. Em mais um exame de urina, o laudo trouxe uma surpresa: “presença de leveduras”.
Inicialmente, o achado foi interpretado como contaminação. Mas a repetição da amostra, com coleta rigorosa, confirmou o mesmo resultado. A equipe decidiu solicitar urocultura específica para fungos. O crescimento de Candida albicans em quantidade significativa confirmou o que o exame inicial já sinalizava: uma candidúria verdadeira, silenciosa, mas potencialmente grave.
O que são leveduras?
Leveduras são fungos unicelulares. No contexto clínico-laboratorial, o gênero Candida é o mais frequentemente detectado em amostras de urina.
Principais espécies envolvidas em infecções urinárias:
Candida albicans
Candida glabrata
Candida tropicalis
Candida parapsilosis
Em pacientes saudáveis, essas leveduras podem habitar naturalmente a pele, mucosas e o trato gastrointestinal. No entanto, quando encontram condições favoráveis — como imunossupressão, uso de cateteres ou antibióticos de amplo espectro — elas podem migrar e colonizar locais estéreis, como a bexiga.
Leveduras na urina podem indicar contaminação da amostra ou infecção fúngica verdadeira, chamada candidúria. A interpretação correta exige atenção à coleta, sintomas, fatores de risco e confirmação por urocultura.
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Como aparecem no exame?
No exame de urina tipo I, as leveduras podem ser visualizadas ao microscópio como estruturas ovais ou arredondadas, com parede espessa, podendo apresentar brotamentos (blastoconídios).
Atenção: essas estruturas podem ser confundidas com cristais, lipídios, detritos celulares ou hemácias degeneradas. A diferenciação correta exige prática, boa iluminação e análise criteriosa do sedimento urinário.
A cristalúria pode surgir por variações de supersaturação e também pelo pH urinário, influenciando o cenário em que leveduras aparecem. Para revisar os tipos mais frequentes e quando investigar, consulte o post de: Cristais na Urina, e relacione com o de pH e Densidade Urinária ao interpretar o sedimento.
Quando o achado pode ser irrelevante?
Nem toda levedura presente na urina representa doença. Em muitos casos, o achado é fruto de contaminação da amostra, principalmente em pacientes do sexo feminino.
Possíveis causas de falso positivo:
Coleta inadequada (sem higienização prévia)
Contaminação por secreções vaginais
Coleta no saco coletor de sondas (em vez de via sistema fechado)
Armazenamento inadequado da amostra
Nesses casos, o ideal é repetir a coleta, orientando corretamente o paciente ou a equipe de enfermagem.
Quando devemos suspeitar de infecção?
O termo candidúria é utilizado quando há infecção urinária provocada por leveduras do gênero Candida. Essa condição pode ser assintomática ou sintomática, dependendo do estado imunológico do paciente e da presença de fatores predisponentes.
Fatores de risco para candidúria verdadeira:
Diabetes mellitus mal controlado
Internação em UTI
Uso de cateter vesical prolongado
Antibioticoterapia de amplo espectro
Pacientes imunossuprimidos (HIV, câncer, transplantes)
Cirurgias urológicas recentes
Sinais clínicos de infecção sintomática:
Disúria
Febre sem foco evidente
Urgência e frequência urinária
Piúria (presença de leucócitos na urina)
Candidúria assintomática deve ser tratada?
Essa é uma das maiores dúvidas na prática clínica. Em muitos casos, não é necessário tratamento antifúngico, especialmente quando não há sintomas e o paciente não pertence a um grupo de risco.
Tratamento geralmente é indicado quando:
Há sintomas clínicos de infecção urinária
O paciente está imunossuprimido
Há planejamento de cirurgia urológica
A candidúria é persistente, mesmo após remoção de sondas ou suspensão de antibióticos
Quando indicado, o antifúngico mais usado é o fluconazol, mas a escolha depende da espécie isolada e da sensibilidade fúngica.
A cultura específica para fungos é indispensável?
Sim. O exame microscópico de urina pode levantar a suspeita, mas apenas a urocultura específica para fungos pode confirmar a infecção.
Diferenciais da urocultura fúngica:
Utiliza meios como ágar Sabouraud
Exige incubação prolongada (até 7 dias)
Permite contagem de UFC/mL para avaliar significância clínica
Identifica a espécie de Candida, o que orienta o tratamento
Na prática, se o laudo do EAS apontar “leveduras presentes”, e o contexto clínico for compatível, o ideal é que o médico solicite uma urocultura para fungos — especialmente se a presença for persistente em coletas sucessivas.
O papel do biomédico e do laboratório
A presença de leveduras na urina desafia o laboratório a ir além do diagnóstico técnico. O profissional que analisa o sedimento deve saber identificar, reconhecer o padrão de crescimento e, acima de tudo, valorizar o contexto clínico e a qualidade da amostra.
Ações que fazem diferença no dia a dia:
Incluir observações no laudo orientando nova coleta, quando necessário
Comunicar achados persistentes para a equipe médica
Recomendar cultura específica em casos suspeitos
Zelar pela qualidade da coleta, evitando amostras coletadas de maneira incorreta
Essa postura colaborativa reduz erros, evita tratamentos desnecessários e fortalece o papel do laboratório como elo de confiança entre equipe clínica e paciente.
Resumo Prático
As leveduras na urina não devem ser ignoradas, mas tampouco encaradas com alarde. Cada achado exige um olhar técnico e clínico integrados.
Coletas mal feitas geram ruído; interpretações isoladas podem levar a erros. A presença de leveduras pode ser só um aviso — mas, em alguns casos, é o primeiro sinal de que o organismo está sob risco fúngico silencioso.
Quando a hipótese diagnóstica estiver entre contaminação e candidúria verdadeira, reavalie parâmetros pré-analíticos e correlacione com aspecto/colorimetria, pH/densidade e eventuais cristais e cilindros, ajudam a fechar a interpretação integrada.
Por isso, interpretar corretamente esse resultado é mais do que seguir um protocolo: é praticar biomedicina com consciência, diálogo e precisão.
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Texto escrito por Ariéu Azevedo Moraes, Biomédico, fundador da Pipeta e Pesquisa.
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Referências
Manual de Urinálise – Sociedade Brasileira de Patologia Clínica
Clinical Infectious Diseases – Candiduria: clinical significance and management
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