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Pano de fundo do título do artigo de gestão de pessoas

Da Gestão Mecânica à Gestão Humana: como a evolução da liderança molda o futuro do trabalho

Durante mais de um século, a gestão de pessoas evoluiu do controle rígido para a parceria estratégica. Entenda as lições da gestão moderna, o papel do comportamento, da liderança e da tecnologia na era digital.

CONSULTORIA E GESTÃO BIOMÉDICA

Ariéu Azevedo Moraes

1/29/20266 min ler

Gestão de Pessoas de "Recurso à Parceiro"
Gestão de Pessoas de "Recurso à Parceiro"

Do Chão de Fábrica à Revolução Digital: 5 Lições Surpreendentes sobre a Evolução da Gestão de Pessoas

Durante mais de um século, o mundo corporativo foi refém de uma lógica mecânica e desumanizada. Desde o nascimento do Modelo Clássico em 1903, fundamentado por Taylor e Ford, o trabalhador era reduzido a uma "engrenagem" — um recurso passivo, substituível e estritamente subordinado à execução de tarefas repetitivas. No entanto, o paradigma mudou. Rompemos as correntes do controle rígido para entender que as pessoas não são apenas parte do processo; elas são o coração pulsante e a inteligência estratégica que dita quem sobrevive na era digital. Esta não é apenas uma mudança de RH, mas uma revolução sobre como lideramos o capital humano para gerar valor real.

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1. O Fim da Era do "Recurso" e o Surgimento do "Parceiro"

Precisamos, finalmente, quebrar os grilhões da era citada por Gil (2006), onde o trabalhador era classificado na mesma categoria de ativos materiais ou financeiros. Tratar pessoas como "recursos" é um anacronismo perigoso. A gestão moderna exige uma transição para o modelo de parceria estratégica.

O diferencial competitivo contemporâneo não reside em máquinas, mas no capital intelectual de parceiros que "assumem riscos" pela organização. Quando abandonamos o comando unilateral e abraçamos a parceria, transformamos obediência em comprometimento. O colaborador deixa de ser um executor de ordens para se tornar um investidor de talento, ciente de que o sucesso do negócio e sua evolução pessoal são indissociáveis.

"Entender as pessoas como seres humanos dotados de personalidade própria e com diferenças entre si, com histórias, conhecimentos e habilidades diferentes e importantes para a organização." — Chiavenato (2009)

2. A Iluminação que Mudou Tudo: Da Manipulação à Autenticidade

Um dos marcos mais disruptivos da gestão — e muitas vezes mal interpretado — ocorreu na década de 1920. Montana (2010) relata o experimento em que a simples alteração da iluminação em uma fábrica alterou a produtividade. O insight foi profundo: a eficiência não dependia da voltagem das lâmpadas, mas de fatores psicológicos e sociais. Os trabalhadores produziam mais porque se sentiam observados e valorizados.

Contudo, como estrategistas, devemos encarar a verdade nua: na gênese da Teoria das Relações Humanas, essa valorização era frequentemente "cínica". O foco na satisfação do indivíduo era uma ferramenta puramente voltada ao aumento de vendas e produção. A lição surpreendente aqui é o contraste: enquanto o século XX usava o bem-estar como manobra de produtividade, o século XXI exige satisfação autêntica. O que era um marco zero para a manipulação tornou-se, hoje, o pilar para a retenção de talentos em um mercado onde o indivíduo detém o poder de escolha.

3. A Armadilha da Burocracia vs. A Complexificação das Relações

O Modelo Burocrático, outrora sinônimo de ordem, tornou-se o maior inimigo da agilidade. Centralização de poder, formalismo excessivo e a ausência de canais informais criaram organizações morosas e rígidas. Historicamente, as competências técnicas valiam mais que as interpessoais — um erro estratégico que o modelo contemporâneo veio corrigir.

Hoje, vivemos a "complexificação das relações interpessoais". A inovação não sobrevive em silos hierárquicos; ela floresce na horizontalidade. A confiança e o compartilhamento de conhecimento substituíram o controle absoluto. Em um cenário onde a colaboração é a nova moeda, líderes que ainda priorizam o tecnicismo em detrimento da capacidade de articulação social estão condenando suas empresas à obsolescência. A agilidade organizacional moderna é, acima de tudo, uma agilidade humana.

4. Por que o Comportamento é o Novo Currículo

A máxima do mercado atual é implacável: contratamos pelo currículo técnico e demitimos pelo comportamento. Por isso, a gestão estratégica abandonou a tentativa fútil de "consertar" insuficiências para focar no Mapeamento de Perfil Comportamental. A ideia é potencializar o que o indivíduo já possui de extraordinário.

Para decifrar o engajamento, precisamos subir os degraus da Pirâmide de Maslow. Enquanto o modelo clássico mal atendia às necessidades básicas de segurança e fisiologia, o modelo contemporâneo foca na autorrealização. É aqui que entra a visão estratégica de Frederick Herzberg:

  • Fatores Higiênicos (Salário e Clima): Funcionam como o "básico". Se forem ruins, geram insatisfação, mas, sozinhos, não motivam ninguém a ser disruptivo.

  • Fatores Motivacionais (Desafios e Reconhecimento): São o combustível da inovação. É o conteúdo do trabalho e o propósito que transformam um funcionário comum em um talento de alta performance.

5. Gestão 4.0: Sustentabilidade e o Comando Humano da Tecnologia

A transformação digital não é sobre substituir humanos, mas sobre elevar o papel deles. Na Gestão 4.0, a tecnologia automatiza o operacional para que o humano possa ser, finalmente, estratégico. Como a fonte nos lembra: tecnologia é inútil sem alguém capacitado para comandá-la.

Essa evolução culmina na Sustentabilidade Organizacional, impulsionada pela transição para os modelos Sistêmico (anos 70) e Contingencial. Entendemos que as empresas são sistemas abertos que interagem com um ambiente global instável. Por isso, os resultados agora são medidos por um tripé inegociável: Indivíduos, Lucratividade e o Planeta. Não há lucro sustentável sem bem-estar humano e consciência ambiental.

"Para cada organização, dentro do seu contexto social e organizacional, existe um modelo de gestão capaz de atender às suas necessidades." — Fischer (2002)

Finalizamos assim: O Futuro é Humano e Horizontal

A trajetória desde 1903 nos ensina que a gestão de pessoas deixou de ser uma disciplina de controle para se tornar uma arte de parcerias. A tecnologia nos trouxe agilidade, mas o comando estratégico e a capacidade de colaboração permanecem como atributos exclusivamente humanos. A verticalidade está morrendo; a horizontalidade é a única forma de sobreviver à complexidade do século XXI.

Ao refletir sobre essa jornada, fica a provocação: sua liderança ainda opera sob os padrões de subordinação e tarefa do início do século passado, ou você já despertou para a era da parceria, da sustentabilidade e do capital intelectual? O futuro do trabalho já chegou, e ele é profundamente humano.

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Ariéu Azevedo Moraes
Biomédico | Fundador do Pipeta e Pesquisa
Especialista em Gestão Laboratorial
Pipeta e Pesquisa — Descomplicando as Análises Clínicas

Referências

  • CHIAVENATO, Idalberto.
    Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações.
    Aborda a transição da visão de RH operacional para uma gestão estratégica centrada em pessoas, base conceitual amplamente utilizada em ambientes de saúde.
    https://www.grupogen.com.br/gestao-de-pessoas-o-novo-papel-dos-recursos-humanos-nas-organizacoes

  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS).
    Human Resources for Health – Workforce 2030.
    Documento que destaca a importância da gestão de pessoas na qualidade, segurança do paciente e sustentabilidade dos serviços de saúde.
    https://www.who.int/publications/i/item/9789241511131

  • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO).
    ISO 15189:2022 – Medical laboratories — Requirements for quality and competence.
    Norma que reforça o papel da competência, treinamento e gestão de pessoas como parte central do sistema da qualidade em laboratórios clínicos.
    https://www.iso.org/standard/76677.html

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